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As dificuldades do futebol americano no Brasil

  • Foto do escritor: Guilherme Alves
    Guilherme Alves
  • 18 de nov. de 2021
  • 4 min de leitura

Atualizado: 23 de nov. de 2021

Considerado um esporte popular para se assistir no sofá, o futebol americano vai muito além disso


Nos últimos anos, o Futebol Americano ganhou espaço em boa parte dos televisores da população brasileira com a NFL e principalmente com o Super Bowl, que é onde se decide o campeão da edição, o que levou o país a ser o terceiro que mais consome o esporte no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e México. "Lembro que, quando estava no ensino médio, virava a noite vendo o Super Bowl, e levava toda aquela empolgação para a sala de aula, onde outros alunos faziam o mesmo. Era uma sensação muito boa, que ia de comentar desde o show antes do jogo, como da própria partida”, comenta o estudante de engenharia, Fernando Dias, de 22 anos.

Apesar da declaração de fã, a prática de futebol americano no Brasil ainda não pode ser considerada popular, mesmo tendo em território nacional 442 equipes federadas à Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) e mais de 27 milhões de fãs do esporte, segundo pesquisa do Ibope no ano de 2020. Por que o esporte não embala como o tradicional futebol no país? Há alguns motivos para isso, além da pandemia que paralisou atividades dos times no País, com um retorno recente.

Transmissões e Investimento

Os fãs brasileiros estão acostumados a assistir um espetáculo nas telas das televisões quando o assunto é NFL, com até 20 câmeras por jogo, e uma transmissão mais interativa. É diferente do que acontece nas transmissões brasileiras, que muitas vezes são realizadas com apenas uma câmera. A falta de dinamismo não cativa tanto aqueles que já estão acostumados com a qualidade da liga americana. “A transmissão por aqui também focou muito em ensinar o jogo para o público, supondo que quem estava assistindo não tinha familiaridade com o esporte, ficando bem didático, o famoso passo a passo”, comenta André Borzani, 21 anos, estudante de jornalismo, e consumidor de futebol americano, ao relembrar das transmissões da ESPN nas finais da liga brasileira em 2019.

Ao comparar a liga nacional com a americana, André conta que as jogadas dos times brasileiros são menos elaboradas, assim como os atletas, e lembra que nenhuma liga conseguiu chegar ao nível da NFL após a fusão com a AFL.

O investimento americano precisa ir além da própria transmissão, e para isso depende de uma via de mão dupla: dos fãs do esporte e de marcas dispostas a acreditar na evolução do futebol americano, como vem acontecendo pouco a pouco com alguns times. “Antes da pandemia, alguns clubes vinham fechando grandes parcerias com marcas”, comenta Michel Borges, 21 anos, jogador do Palmeiras Locomotive. Ou seja, o consumidor de NFL precisa passar a acompanhar os times nacionais para que marcas comecem a investir no esporte, elevando assim a qualidade do jogo, das transmissões e até mesmo durante as pausas que uma partida tem, assim como acontece nos EUA, de forma a atrair mais pessoas para assistir.

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Esporte caro e violento?

Quem assiste a filmes ou séries americanas juvenis pode perceber que quando costumam colocar futebol americano no meio, as próprias escolas fornecem os equipamentos necessários para os atletas. Essa realidade não corresponde em nada com aqueles que buscam adentrar no esporte no Brasil, e que se torna um dos motivos para o FA não atrair mais pessoas. "Os equipamentos por aqui costumam sair por mais de dois mil reais. Eu por exemplo paguei mil e duzentos apenas no meu capacete”, menciona Michel. Esse valor pode ficar ainda maior levando em conta o quanto o dólar está valendo no momento ou do quão novo é o equipamento.

E os preços elevados não refletem apenas para quem quer levar o esporte para um lado profissional. Até mesmo para simples diversão, os valores pesam nos bolsos dos brasileiros. Para efeito de comparação, enquanto uma bola de futebol tradicional pode ser encontrada por 20 reais, 30 reais, uma bola de futebol americano simples custa o dobro disso.

A bola de futebol americano e os equipamentos de proteção, que são essenciais para realizar uma partida, costumam pesar no bolso dos brasileiros por conta do preço alto - Foto: Divulgação.

E não é caro apenas nos equipamentos. Para que uma partida possa acontecer, as equipes brasileiras precisam desembolsar cerca de 8 mil reais por jogo, que muitas vezes partem dos próprios integrantes dos times, segundo matéria do site Torcedores. Esse valor serve para cobrir gastos, entre eles tem a locação do estádio, as ambulâncias, a arbitragem, seguranças, sistemas de sons, narradores, gravação, e muito mais, como coisas básicas como água até mesmo confecção de ingressos para os jogos. Por isso há tanta necessidade de investimentos para equilibrar as economias.

Outro quesito que entra na parte financeira do esporte são as lesões. O futebol americano é perigoso e violento e “se machucar no Brasil sai caro, por isso quase ninguém vive de futebol americano no país, então se machucar no FA significa perder uns dias de trabalho”, afirma Michel Borges.

Disputa de bola entre dois times de futebol americano – Foto: Divulgação

As regras e o jogo em si

Para quem está acostumado com o futebol sem pausas como conhecemos o tradicional futebol, estranha muito como o esporte americano se difere nisso. “É um esporte com muitas regras, que o torna complexo, tanto nas questões de táticas e estratégias”, diz o jogador. São muitos nomes para cada tipo de jogada utilizada durante uma partida. “exige das equipes conhecimento de muitas jogadas, com seus nomes e exemplificações, conhecimentos de faltas que podem ser marcadas, além do conhecimento básico de cada posição dos jogadores.” completa André.

Além disso, é um jogo muito parado, sendo quatro tempos de 15 minutos cada, mas que pode se transformar facilmente em três horas, pelo tanto que um jogo pode ser paralisado, o que pode entediar aqueles que estão acostumados com um futebol dinâmico.

Como visto, há alguns fatores que interferem na evolução do esporte no país, mas que pouco a pouco vem melhorando e ganhando mais e mais atenção. Cada vez mais marcas vem acreditando nos times e nos jogadores, que atraem novos olhares. Essa crescente fez com que anunciassem para 2022 um complexo voltado exclusivamente para o Futebol americano, que está sendo construído em São Paulo. É um grande passo para uma modalidade que está emergindo no Brasil.


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