Como as Batalhas de Rima contornaram o isolamento social
- Victor Martins

- 18 de nov. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 23 de nov. de 2021
Desde o começo da pandemia, os organizadores das principais Batalhas de Rima do país vem contornando os imprevistos causados pelo isolamento social
Desde o início da pandemia da Covid-19 em 2020, a temporada das batalhas de rima no Brasil teve seu calendário desfalcado pelas questões do distanciamento social que atingiam toda a estrutura do evento, dos os MCs e organizadores até o público geral que atua como jurado. As qualificatórias para o Duelo Nacional de MCs, principal competição do segmento no país que foi disputada no mês de Novembro também foi afetada, e embora as disputas tenham ocorrido presencialmente, o público, principal responsável pela energia e votação das seletivas foi substituído por uma plateia virtual e um júri técnico, algo que na opinião da maioria estava longe do ideal, apesar de ser um mal necessário.

Em resposta às adversidades, algumas organizações buscaram como alternativa continuar as atividades, mas dessa vez nas plataformas digitais e à distância. A Batalha da Aldeia por exemplo, maior do país e que conta com mais de 3,5 milhões de inscritos no Youtube iniciou um projeto em parceria com a Twitch de transmitir as batalhas realizadas no Discord (plataforma de comunicação por voz). O servidor criado em Março de 2020 chegou a mais de 30 mil membros, e segundo o apresentador Bob13, as batalhas online são uma ótima vitrine para novos talentos. “Tem muito moleque que fica em choque com todo o público em volta, o Mic na mão, essas edições à distância servem para um monte de gente ganhar confiança. Cria casca”, disse o apresentador e MC.
Apesar do sucesso na execução dos confrontos online, a Batalha da Aldeia decidiu retomar as atividades com a presença dos MCs em setembro de 2020, e no mês seguinte promoveu o evento de 4 anos da organização com público, seguindo os protocolos de saúde e higiene da ANVISA à época.
Para o web designer, MC e produtor musical Guilherme Arimateia, de 21 anos, há uma grande diferença na forma de consumir as batalhas. “Eu acompanho há uns 7 anos, já até rimei algumas vezes e sinceramente é outra parada. É interessante manter a frequência de conteúdo, seja com as batalhas online ou nas entrevistas com os MCs, mas assistir de perto não tem comparação. Presencial a vibe é diferente, tem aquele calor da plateia, o cara já entra na roda com o frio na barriga.”, afirmou. No entanto, Guilherme alerta sobre a volta gradual do público. “Com a vacinação talvez a retomada do público possa acontecer. A maioria das batalhas ocorrem em espaços públicos como praças, parques etc, fora que os moleques saem do outro lado da cidade para ir rimar em uma quebrada, aí pega aquele metrôzão lotado... por enquanto não rola, quem sabe daqui um tempo?”, complementou.
Nos demais movimentos de Hip Hop de SP, especificamente das Batalhas de Rima o público está retornando aos poucos, em resposta ao avanço da vacinação no Estado de São Paulo. “A molecada que nos acompanha tanto no Youtube mas especificamente nas rodas presenciais aguarda sua segunda dose para que a gente consiga voltar com tudo à normalidade e fazer bonito”, disse Bob.
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