Praça e espaço cultural buscam renovar imagem de bairro na zona norte
- Lillian Magalhães

- 19 de nov. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 23 de nov. de 2021
Eliza Maria, conhecido como baile de favela é cenário de esperança e transformação na zona norte de São Paulo
Em 2016, o mundo do funk viveu a repercussão de “Baile de Favela”, do MC João. O hit levou o nome do bairro Eliza Maria, na zona norte de São Paulo, a ser associado à música. Dez anos antes, porém, um evento de violência marcou a região - que busca se distanciar do estigma com um espaço cultural e uma praça em homenagem às vítimas da chacina.
Quase em frente à Praça 7 Jovens, o centro Brasilândia Cultural oferece cursos de inglês, música, educação social e ambiental, além de atendimentos psicológicos. A iniciativa de abrir o local foi tomada por moradores do bairro que buscam a mudança da realidade do local, que sempre foi marcado pela criminalidade e pelos bailes funk.
A chacina de 2006 levou à morte de seis jovens e deixou um deles paraplégico. Ocorreu em uma das ruas próximas ao “pastão” - apelido dado ao terreno hoje ocupado pela praça. O espaço busca reavivar a esperança e transformar o bairro para melhor. A luta para preservar o espaço é remete aos anos 1970, pelos moradores da “Velha Guarda”, como nomeia Fábio Lol Barbosa, um dos principais apoiadores dos movimentos do local.
Segundo ele, para que o “pastão” não fosse invadido, os moradores zelavam pela preservação do local, com o sonho de que futuramente pudesse proporcionar momentos de lazer e diversão aos moradores do bairro.
A praça foi construída em 2009 com o apoio do Instituto Sulamérica, que naquele ano investiu em dez espaços em São Paulo abandonados, como terrenos baldios.
As atividades culturais na praça se iniciaram com Samba do Bowl em 2013, uma roda de samba criada na pista de skate. O movimento se iniciou sem investimento algum e aos poucos foi tomando visibilidade; em 2019 foi lançada a Casa de Cultura.
Em 2015, Lol, e os principais moradores da região realizaram a plantação do Baobá Africano, e em 2017 o Pau-Brasil, ambos foram doados pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Com a realização da roda de samba, a praça foi ganhando mais visibilidade, cuidados e significado para os jovens e moradores da região.
Pandemia e novos desafios
A quebrada sempre é a primeira a sofrer, a sentir na pele a dor da fome, das enfermidades e da falta de recursos. Pensando no cenário que foi agravado com a Covid-19, foi necessário a entrega de kits de higienização e de mantimentos, para dar um suporte àqueles que mais precisam. No dia 16 de maio de 2020, foram atendidas na região mais de duzentas famílias, porta-porta, kits feitos pelas mãos da própria MasterChef Paola Carosella, que veio conhecer o local e ajudou nas entregas. As rodas de samba estão sendo realizadas em lajes e sendo transmitidas em lives; foi uma alternativa para o projeto não parar.
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