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Do economês para o dia a dia

  • Foto do escritor: Victor Ferreira
    Victor Ferreira
  • 19 de nov. de 2021
  • 6 min de leitura

Atualizado: 23 de nov. de 2021

Economia não precisa ser complicada; Entenda alguns conceitos básicos que podem ajudar na sua organização financeira


Você alguma vez já tentou ler um jornal ou um artigo sobre economia e acabou se perdendo no meio de tantos conceitos, siglas e números? Ou até mesmo já se perdeu enquanto via o telejornal e começaram a falar sobre a queda da bolsa, projeção do PIB e taxa Selic? Bom, se sim, saiba que você não está sozinho. A grande maioria dos brasileiros não está muito familiarizada com esses conceitos e acaba enxergando a economia como algo distante - e, na verdade, ela está presente no cotidiano de todos. Economia não se trata de decorar fórmulas; é um raciocínio lógico, em que ações impactam outras ações e geram mudanças.

É fundamental que todas as pessoas tenham ao menos um conhecimento básico sobre a economia, já que se você não tiver controle sobre suas finanças e não tiver conhecimento do impacto das políticas adotadas pelo governo na economia, alguém terá. E isso pode ser usado contra você. Para que você nunca mais se deixe levar pelo discurso daquele político que promete demais ou daquele gerente de banco que tenta te recomendar um investimento sem nexo, a equipe do Sinapse conversou com alguns economistas para descomplicar os termos mais importantes dessa área.


PIB:

Para Eduardo Yuki, Superintendente Executivo de Macroeconomia no Banco Safra, o que mais impacta na vida das pessoas é o nível de atividade econômica, geralmente representado pelo Produto Interno Bruto (PIB). “O PIB é tudo aquilo que o país produziu durante determinado período, geralmente um ano”, diz. Esse indicador, porém, somente leva em conta os bens e produtos finais, ou seja, o valor final daquilo que está sendo avaliado, sem considerar os estágios intermediários da produção.

Esse é o indicador mais discutido e mais utilizado para medir a atividade econômica, já que por meio dele conseguimos comparar a nossa produção com a de outros países e medir nosso nível de renda, complementa Eduardo. Portanto, quando falamos que o PIB cresceu ou diminuiu, estamos falando que o país produziu mais ou menos do que havia produzido no ano anterior.


Câmbio:

O câmbio é o valor de uma moeda, quando comparada com outras moedas. Normalmente para falar de câmbio nós usamos o dólar americano como referência, por ser a moeda mais “forte” do mercado, mas é importante saber que todas as moedas estão nesse movimento constante com relação umas às outras, inclusive o próprio dólar, que ora vale mais, ora vale menos.

Temos que ter em mente também que o câmbio influencia diretamente a vida de todas as pessoas, já que na economia globalizada todos os países dependem da importação e exportação de produtos. Então comprar um computador, por exemplo, quando o real está desvalorizado, acaba sendo mais caro, enquanto por outro lado, um exportador de soja consegue vender mais de seu produto para o exterior.

Alguns economistas chegam até a defender a alta do dólar frente o real por incentivar nossa indústria, dizendo que quando os produtos importados ficam mais caros nós optamos por consumir o produto nacional. O problema é que nenhum país consegue produzir tudo, e isso acaba causando perda de poder de compra para a população, que tem que pagar mais caro por aquilo que não é produzido pela indústria nacional.


Inflação:

A inflação já é bem conhecida pelos brasileiros, especialmente por aqueles que viveram o período da hiperinflação, entre os anos 1980 e 1990, e é normalmente descrita como o aumento dos preços. Na realidade, em uma definição mais precisa, a inflação é a desvalorização do dinheiro, ou seja, quanto maior a inflação, mais rápida é a perda do poder de compra da população. A inflação atualmente é medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), e o governo possui alguns mecanismos que podem ser usados para controla-la, por meio dos quais ele consegue aumentar ou diminuir a quantidade de dinheiro em circulação.

Segundo o jornalista e professor Marcelo de Mattos Salgado, que tem experiência ministrando palestras sobre economia, a inflação é um sacrifício maior para os mais pobres, já que essa camada da sociedade é a que menos investe e a que mais depende do papel moeda. Marcelo faz ainda uma crítica e um alerta quanto à relação entre política e inflação: “candidatos despreparados e mentirosos prometem fundos, verbas, bolsas e outros tipos de auxílio que devem ser vistos com muito cuidado, porque o aumento da circulação de dinheiro sem aumento da riqueza gerada provoca necessariamente inflação”.

Já Eduardo Yuki aponta para a influência do câmbio na inflação, citando que quando os produtos importados ficam mais caros, eles não deixam de fazer parte da cesta de consumos da população, fazendo com que se compre menos pagando mais e, assim, aumentando a inflação.


Juros:

Outro conceito importante de conhecer tanto antes de investir quanto antes de se endividar são os juros. Os juros são o custo do dinheiro.

O professor Marcelo cita ainda como um conceito fundamental para o entendimento da economia a relação entre juros e inflação, e como os juros são usados para controle da inflação.

Desde 1999 o Comitê de Política Monetária (Copom) se tornou responsável por definir a meta da taxa de juros no Brasil, chamada de Taxa Selic. Essa taxa é usada como parâmetro para definir as taxas de juros das operações de empréstimo realizadas de um banco para o outro, e por isso ela influencia diretamente nos juros que serão cobrados pelos bancos em seus empréstimos para pessoas físicas e jurídicas.

Quanto mais baixa é a Selic, menos os bancos pagam para contrair empréstimos, e consequentemente, mais eles conseguem emprestar, fazendo com que exista mais dinheiro em circulação. Quanto mais alta é a Selic, mais caro fica para os bancos conseguirem recursos para emprestar, fazendo com que eles realizem menos operações de empréstimo e diminuindo a quantia de dinheiro em circulação.


Investimentos:

Quanto a investimentos, é importante conhecer o conceito de poupança e saber o que significa investir.


Poupança

A poupança é a parcela da sua renda que não é destinada para o consumo, ou seja, aquilo que sobra depois de pagar todas as despesas, podendo ser guardado para ser utilizado no futuro. Para atender aos objetivos de cada pessoa, essa poupança pode ser investida, mas antes de nos aprofundarmos no tema, é também fundamental ter em mente que todo investimento, sem exceção, traz algum risco para o investidor. Para esclarecer algumas dúvidas sobre o mercado de investimentos, confira:

Investimentos são divididos em duas categorias principais, que são a renda fixa e a renda variável.

Renda fixa

A renda fixa é aquela na qual você tem como saber aproximadamente quanto receberá pelo seu investimento, já que esses títulos são negociados com taxas de juros pré ou pós-fixadas. As taxas pré-fixadas são aquelas que são definidas na hora da contratação, então, por exemplo, investindo mil reais com uma taxa de 5% ao ano, você receberá 50 reais de remuneração depois de um ano. Já as taxas pós-fixadas são aquelas nas quais não é possível saber exatamente quanto você receberá, já que isso depende de alguns indicadores econômicos, como a Taxa Selic ou a inflação.

Dentro da renda fixa existem várias opções de investimento, sendo a conta poupança a mais utilizada pelos brasileiros. Mas é interessante considerar outras alternativas, já que a conta poupança frequentemente tem rendimento abaixo da inflação, ou seja, você acaba com mais dinheiro na conta, mas com menos poder de compra. Duas opções interessantes e seguras para evitar que isso ocorra são os Títulos Públicos Federais e os Certificados de Depósito Bancário (CDB).

Os Títulos Públicos Federais são títulos da dívida pública, então ao adquirir um deles, você empresta seu dinheiro para financiar as atividades do Governo Federal. Esses ativos podem ser adquiridos na internet por uma plataforma online chamada Tesouro Direto, desenvolvida pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 (bBolsa de vValores de São Paulo), com o objetivo de democratizar o acesso aos títulos públicos. Eles são divididos em três categorias de acordo com o indicador que determina sua remuneração: Tesouro Pré-fixado, Tesouro Selic e Tesouro IPCA.

Já os CDBs são certificados emitidos pelos bancos, nos quais você empresta a seu dinheiro para um deles, essa quantia é usada para financiar operações de empréstimo dessa instituição e, em troca, você recebe o pagamento de uma taxa de juros definida na hora da compra. Para tornar essas operações mais seguras, as instituições financeiras se uniram e criaram o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Esse fundo garante o pagamento de até 250 mil reais para cada investidor no caso do banco não conseguir honrar seus compromissos, até mesmo em caso de falência.

Riscos

Se tratando de renda variável, estamos falando de investimentos mais arriscados. Esses são aqueles que não trazem nenhuma certeza de retorno para o investidor, mas que ao mesmo tempo podem apresentar resultados muito melhores do que a renda fixa. O exemplo mais conhecido nessa modalidade é o das ações da bolsa de valores.

Investir em ações significa se tornar sócio de empresas. Comprando ações você passa a ter direito a receber uma parte do lucro da empresa emissora, e essa parte do lucro é distribuída aos acionistas na forma de dividendos. Além disso, você pode comprar ações de empresas que você acredita que podem crescer, porque conforme as empresas crescem, suas ações tendem a se valorizar, podendo ser vendidas por um preço mais alto que aquele que foi pago por elas.



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